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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Minha parede


Na parede da sala lá de casa tem uma casinha pintada.
De uma janela só. De uma porta só.
Nela beira um rio cercado de pedras coloridas.
As águas do rio são de todo azul.
Azul que não tem no céu.
O céu é caramelo.
Lembra mel. De uma abelha que também não há.
Que talvez não vejo.
Atrás da casa tem um pinheiro.
Que guarda um ninho com vida.
Que guarda um canto do dia.
O pinheiro tão alto é.
Que encosta nas nuvens. Que o vento sopra.
Sinto que dentro da casa tem um coração escondido.
Um coração repartido.
Que não sabe se é sol. Que não sabe se é lua.
Se é frio o se é quente.
Se floresce ou seca.
E se há um coração, não sabe que aqui fora
Vimos o tempo passar.
E que quando o tempo passa
Trás e leva nele a beleza em movimento.
Lá dentro tem um coração.
Precisa saber que o perfume do ar é bom.
E que aqui há um lugar que só ele pode ocupar.
Na parede da minha sala tem uma casa pintada.
Tem um coração dormindo acordado.
Tem um amor a espera de alguém.

By Aline:)

domingo, 3 de agosto de 2008

Sem título!


Hoje amanheci pensando em sonhos. Refleti sobre os que tenho e concluí que não realizei nem a metade ainda. Confesso que me senti um pouco confrontada quando parei para pensar no que tenho feito para que eles se realizem... E se realmente são sonhos! Até que ponto estou disposta a lutar por eles e "correr atrás", como dizem, para que aconteçam. Só que não sei... Aline leva a vida numa boa, mas ela precisa entender que sonhos não nascem da natureza como suas poesias. Sonhos não vem com a chuva nem com o vento. Sonhos são frutos... E fruto só nasce se sementes forem plantadas. Depois é preciso cuidar. Depois é preciso colher!


Então meus sonhos me fizeram pensar em riscos. Eu sempre incentivo as pessoas à arriscarem, tentarem algo novo e à não terem medo do que pode acontecer. Digo que a vida é assim... é preciso tentar pra ver se vai dar certo. Que não é uma receita de bolo e que não existe adivinhações... Existe sim, a fé. Mas daí, quando me encontro numa situação onde preciso pensar dessa forma, me pego insegura e sem coragem. Então lembrei de algo que sempre falo pro Rodrigo, que não podemos exigir de ninguém algo que não podemos (ou queremos) oferecer. Conversando com minha mãe, disse que seria muito mais fácil se eu parasse no "meio" do caminho e não tentasse. Daí ela falou: Vai passar a vida inteira com medo de tentar?


Só que o "sistema" me "oprime! Eu preciso entender com mais intensidade o que significa o amor... que tudo suporta, crê e espera! Afinal... tudo pode acontecer! Nunca se sabe... viver não é tão simples como parece... mas vale muito tentar! JESUS... eu preciso muito aprender a ser como tu és! I love...


By Aline:)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Até quando?


Minha relação com a escrita é igual resolver problemas entre um casal: Nunca deixar para amanhã. Ao menos é isso que ouço e o que me "instruem" a fazer quando casar um dia. Há poucos assistia o programa Globo Repórter. É incrível a habilidade de variação temática que a Globo tem para esse programa, para não dizer o contrário. Quando não é natureza ou impacto de culturas, falam de comida. O interessante é a capacidade de trazer sempre coisas novas, mesmo quando assunto principal é o mesmo. Desta vez (mais uma vez), nos trazia a oitava - não registrada - maravilha do mundo: O continente Africano. Tudo porque lá encontram-se tesouros insondáveis. E uma das coisas que mais me surpreende é a absurda diversidade que constrói aquele ecossistema. Sempre há de ter um pássaro com um novo bico ou pena. Sempre há de se descobrir uma nova agilidade de um animal que nasceu em nossas mentes ontem, mas vive há bilhões de anos. O mundo não pára de inovar, nem naquilo que já existe. À isso chamo de coexistir. Não. Meu bicho predileto não é o cão, apesar de gostar do que tenho. Mesmo ele aprontando como fez hoje. Ele é o pedigree mais vira-lata que já tivemos. O animal que mais me encanta é o Gorila. Lembro que fiz questão de trocar um pelúcia na coleção que a Parmalat lançou há uns anos. Não sei, mas tem algo neles que é maravilhoso. Passei a olhar pra esses com outros olhos depois que assisti ao filme: Instinto. Me passaram um imensurável ar de superioridade. Eles são fantásticos. Anthony Hopkins, faz um antropólogo "frustrado" que abandona sua carreira e vai viver om os "Gorilas da montanha", num lugar da África. Lá, ele descobre outro mundo. Relata o contato que ele manteve com os gorilas, as dificuldades para conseguir ficar em grupo com estes animais selvagens e o porquê da morte de dois homens na selva ocasionada pelo próprio. Estes homens eram caçadores e no momento em que o antropólogo estava com o filhote de gorila, eles chegaram atirando, o que causou a morte da mãe e do pai gorila. Ou seja, alugue e assista. Viajando nisso tudo, algumas coisas me fizeram pensar... Em como o homem está distante de ter uma mente segundo à mente de Cristo. A ganância está ferindo o caráter humano, a vaidade está mascarando a ordem natural das coisas e o "ter" está se tornando mais importante do que o "ser". Isso eu ouvi da boca de duas pessoas que conversavam comigo essa semana. Sinceramente, pensamentos como estes são a causa da "opressão" que está consumindo a capacidade de nos tornarmos pessoas melhores e fazermos dos outros, tão bons quanto o que precisamos nos tornar. "Ter" é um verbo que perece. Ser... é um verbo que edifica. Ficou ecoando na minha cabeça... Até quando? Até quando o batom será mais importante que o beijo ou unhas bem feitas mais do que um aperto de mão? Violões mais do que canções, internet mais do que um encontro, sandálias mais do que pé no chão? Existe um provérbio chinês que diz... A gente arruma todos os dias o cabelo; Porque não o coração? Amigos, amigos... Um pouco de perfume sempre fica nas mãos de quem oferece flores! Decoremos nossas almas... Façamos alguém feliz! Sejamos simplesmente quem fomos criados para ser... Seja! E viva os Gorilas!
By Aline:)

quinta-feira, 31 de julho de 2008

De pés descalços...


Às vezes que queria ter uma percepção maior das coisas... Talvez isso me ajudasse a compreender motivo de algumas acontecerem. Talvez assim eu encontrasse respostas mais rápidas... Talvez! Enfim... anyway!! Como disse Vivi na sua última carta... "Aprendi a jogar a sujeira pra baixo do tapete! Tem dias que não tô afim de limpar!" E não é verdade? Olha minha cara de preocupada...



Ps.: É bom deixar acontecer!!
By Aline:)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

sábado, 26 de julho de 2008

Todo dia de manhã


Engraçado...


Numa de minhas manhãs enquanto meditava... Pedi à Deus que falasse comigo. Dessa vez caíram folhas, mas ainda não entendi o porquê. Interessante é que não ventava, mas elas caíram. Como eu sou bem lenta para processar as coisas, espero por uma conclusão antes que termine o dia. E é muito bom ter esses momentos enquanto o sol se manisfesta. Enquanto ele queima e você nem percebe. Porque na sua mente, mesmo que ele esteja radiante no céu, é inverno. E o frio, mesmo que não sinta, está acontecendo. Certas coisas me fazem pensar e sinceramente, não vejo a hora da chegada da primavera.


Ontem à noite, enquanto escrevia uma carta para uma amiga, eu comecei a pensar numas coisas que estou vivendo e no porque delas. Lembrei que na minha última semana na Jocum, numa aula da Ana, ela falou algo sobre "encubadora" e que talvez durante um bom tempo, indetermidado até, eu como outros poderíamos passar um bom tempo dentro de uma e que crescer, doía. Isso já faz tempo e hoje eu estou começando a entender o que ela queria dizer. Nós aprendemos sem querer e sem perceber. Quando criança, sentia muitas dores nas pernas e acontecia geralmente à noite. Em algumas situações, chorava de tanta dor. Minha mãe ou pai massageavam antes que eu fosse para a cama e diziam que isso acontecia porque eu estava crescendo e que o fato de eu correr muito durante o dia, me causava todo aquele desconforto. Então eu podia até me sentir mal, mas sabia que em algum momento eu teria altura para fechar o registro do chuveiro sem precisar pedir ajuda à ninguém. Eles realmente precisavam me dar um motivo para aquilo acontecer. Coisas de pais. Daí hoje eu percebo que a história se repete. Não sinto mais dores nas pernas. Parei de crescer, infelizmente. Claro que gostaria de uns centímetros a mais, mas enfim... São outras dores, num lugar que inacessível. Descobri que se leva muito tempo para nos tornarmos "a pessoa" que tanto sonhamos ser e que a nossa vida está sendo construída e moldada todos os dias, a partir das escolhas que fazemos. Existe um programa chamado: Você é o que você come. Acho que também somos o que fazemos e depende somente de cada um de nós a maneira que nossos passos serão regidos. Incrível, mas percebo que quanto mais falamos no quanto o tempo passa rápido, menos nos importamos com isso. Porque continuamos a viver como se fôssemos ter uma outra oportunidade. Apesar de gostar de "levar a vida" sem muita pressa, preciso entender que apertar "os passos" pode ser bom. Mesmo que à noite eu sinta dores... Sei que uma hora vou ser "grande" o bastante para alcançar o que quero. Possos ser lenta e dar passos largos. Uma possibilidade! Sinto que muitos entenderam o que isso significa e que crescer, dói de verdade. Diz aí quem não quer ser grande?


Engraçado... Mas hoje eu acordei assim!


By Aline :)

terça-feira, 22 de julho de 2008

Um lugar chamado Juquitiba

Esse fim de semana estive em Juquitiba. Uma cidadezinha no interior de São Paulo. Fui ao sítio do tio Júlio. Para aqueles que conheceram o vô Zé, o tio é igualzinho à ele. Foi tudo muito rápido, mas valeu cada segundo. Ver aquela gente tão simples e tão acolhedora... Deus seja louvado por ainda existirem pessoas assim. Bom demais ver o tio outra vez fazendo 93 anos e cheio de vida. Pena mesmo ter sido "vapt-vupt". Como um Dèjá vu... vou tentar descrever meu sábado naquele lugar.

"Lembrei dos carros parados naquela imensa avenida. Tinha sol para todos ali. Existe mesmo Juquitiba? Eu pensava. Sim! Em algum momento eu chegaria. Mas dessa vez foi diferente. Era como se eu fosse a única na estrada. E ao luar fomos, sem calor e suor. Apenas o vento frio desse inverno que engana a gente. Pisar lá é como pisar num chão fofo, de uma terra que acabou de ser arada. Nasce flores em todos os cantos, de todas as cores e de todas as formas. O esquilinho não apareceu. Tudo estava tão calmo, tão cândido... Café quente toda hora e biscoitos de povilho sendo assados minuto à minuto no fogão à lenha. Que ágil são elas. Também no roseiral não tinha rosas como da outra vez. Apenas duas avisando que as outras estavam por vir. Tudo podado e preparado para a imensidão de beleza que estava por tomar aquele lugar. Frutas e frutas nasciam. Comer direto do pé nunca será o mesmo que comprar num hortifrut. Tem um bom gosto de terra. Não vi os peixes no lago, mas sabia que eles estavam lá. Engraçado, mas dá uma vontade de ser criança de novo. Quem não tem medo, lá se entrega. O balanço, a rede, a corda na árvore... E você voa, voa, voa e cai no chão como eu caí. Pra chegar do outro lado, a gente tem que passar por um caminhozinho. Nele você encontra uns abacaxis filhotes crescendo. Uma graça. Então descobre que essa coisa de "roça" tem um monte de atalhos. Uma escada de barro bem íngreme te leva à beira do lago. Você até desce, mas escorregando e sujando bem a roupa. Dá um frio na barriga, mas não vontade de voltar. Lá o milho é doce, o feijão abóbora e fica mais perto do sol. Não tem nada que não deixe um gosto bom na boca. Nos arredores encontramos gente de todo tipo. Para uma cidadezinha como essa, é engraçado algumas coisas. Você segue pela rua dos artesãos e encontra um senhor querendo te mostrar "sua colméia" pra ver se consegue vender o mel. De longe você vê, de longe. Encontra os maestros das madeiras e suas artes. As moças pintado quadros ou tricotando um cachecol. Cestos, tapetes, pastéis e "Eco sport". Tem de tudo um pouco em Juquitiba. Aí no fim da tarde você vê o sol indo embora, deixando parte do céu escuro e a outra parte da cor da laranja que você colheu um pouco mais cedo. E vem embora com vontade de nunca mais partir. Ter outro Dèjá vu como esses, só voltando lá pra viver tudo outra vez. Saudades..."

By Aline :)

Ps.: Foto de Thiago Paiva, meu primo. Para um "iniciante", está muito bom. Visitem seu Flirk: http://flickr.com/photos/thiago_paiva/

Lá tem mais fotos de Juquitiba.

Tá crescendo, lálálá!


É que gostei dessa foto... e como não tenho mais orkut, decidi colocá-la aqui!! Afinal, o blog é meu mesmo e ponto final! Beijos à todos... que me aturam!
By Line :)

sábado, 12 de julho de 2008

Uma Florzinha de Jesus



Tem coisas que nascem...

Nasceu uma flor em meu coração, e como amo flores, decidi cuidar com carinho para que ela não morra. A minha flor passa o dia inteiro dando gargalhadas. Ri não sei de quê. Mas ela realmente vê graça nas coisas. Ela veio como um renovo, cheia de vida, de alegria... de bom humor. Que lidinha! Me faz tão bem...


E foi plantando uma semente que ela veio, assim... assim... dentro de mim. Brota uma nova esperança.




Deus, obrigada! Meu coração exulta... meu cálice transborda!!



"... porque produzira flores, brotava renovos" Nm.17:8


"...Para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós." IICo.4:7
Em breve...
By Aline :)

quarta-feira, 9 de julho de 2008

EmErGêNcIa! Vítimas de VIOLÊNCIA...

... Indivíduo na calçada, sem socorro, conseqüência...

"Hospital confirmou nesta segunda-feira (7)a morte cerebral do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, baleado na cabeça na Tijuca, Zona Norte do Rio, na noite de domingo (6) durante um tiroteio."

"João Hélio... O menino ficou preso pelo lado de fora do veículo e foi arrastado por sete quilômetros pelos assaltantes... abandonaram o carro com o menino pendurado do lado de fora..."

"Dênis Henrique dos Santos, de 13 anos, foi morto durante uma festa pré-carnavalesca em Recife. Segundo testemunhas, ele teria sido espancado por policiais, que achavam que ele se envolveu em uma briga..."

"Uma criança de 8 anos foi ferida por uma bala perdida, na noite desta terça-feira (17), durante um confronto envolvendo policiais militares e traficantes na Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro."

"Ramon Fernandez Dominguez estava na porta de casa, na Favela do Muquiço, em Guadalupe, quando foi atingido por uma bala perdida. O corpo foi enterrado no começo da tarde."

"Mulher foi baleada quando o veículo passava pela Avenida Brasil. A polícia ainda não sabe de onde partiu o tiro que atingiu a vítima."

"Um menor de 14 anos foi vítima de uma bala perdida, no final da noite de domingo..."

"A aposentada Maria Martins da Silva morreu às 15 horas desta quarta-feira, no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, Subúrbio do Rio. Ela foi atingida por uma bala perdida... por um tiro de fuzil por volta da meia-noite enquanto trabalhava na sua barraca de doces."

"Um homem que foi vítima de bala perdida numa festa no Rio não resistiu aos ferimentos e morreu... Elias Gabriel Batista da Silva, de 29 anos."

"Um funcionário da Prefeitura de Belo Horizonte foi baleado neste sábado quando fazia o controle da dengue no bairro São Francisco, região da Pampulha. Ramon Correia de Abreu, de 46 anos, levou um tiro na cabeça... No mesmo local, Wellington Fernandes dos Reis, de 21 anos, foi morto com 13 tiros."

"O professor de educação física Vladimir Novaes de Araújo, de 28 anos, é a sétima vítima fatal de bala perdida no Rio de Janeiro neste mês de março."

"A menina, de 13 anos, foi morta, vítima de bala perdida, durante tiroteio entre traficantes e policiais..."

Não é por eles que decidi levantar a bandeira!
É por nós que ficamos...
E pelos que virão!
By Aline :(

terça-feira, 1 de julho de 2008

Tic-tac...


Tenho experimentado umas coisas bem legais em minha vida. E não preciso de muito pra dizer que está bom do jeito que está... Me contento com pouco, desde que seja bom. Na última semana assisti à uma entrevista com o cantor de rap MV Bill. Nascido, criado e vivido na Cidade de Deus, no Rio, ele tem sido voz pra muitos. Para quem não sabe, MV significa mensageiro da verdade. Gostaria de ser conhecida como MV Aline. Que tal? O cara é do tipo extravagante, mas muito consciente. Ele disse algo que me fez refletir: -O que é plantado nas comunidades é ódio, indiferença, desdenho... Depois não pode querer colher amor dessas pessoas.- É uma verdade tão verdadeira que até me constrange. Porque aos olhos dessa gente, eu sou mais uma na multidão, até que eu me manifeste vestindo a camisa que eles vestem. Diante disso, desse click, eu decidi abrir meus olhos e fazer aquilo que posso alcançar agora. Um passo de cada vez... mãos que abençoam e pés que anunciam.


Ele é um homem que tem um senso crítico admirável. Bem, na verdade qualquer um que tenha o senso crítico aflorado eu admiro, porque eu não consigo ser assim. Durante um tempo coloquei à prova minha personalidade e até duvidei da mesma, pelo fato de não conseguir olhar com percepção crítica para as situações, filmes, etc. e etc. Só via (e vejo) beleza em tudo. E quando não é bonito, eu desperto uma esperança não sei de onde que diz que uma hora vai ficar. Será que muito otimismo é exagero no mundo em que vivemos? Não acho. Acreditar me faz bem.


Filipe meu bem... não sei assistir à um romance, não me derreter e dizer que foi fantástico. Nossa... só tenho olhos para os sentimentos naquele instante. Não cobre críticas de uma garota melosa como eu (risos)! Acho que é a vontade de viver o mesmo um dia. Tenta entender...


Mas voltando ao Mc, digo, MV (risos), o cara é bom. Meninos do Tráfico foi um grande documentário. Acreditem que de todos que participaram, não há mais nenhum vivo. Nessa terça fui à um CIEP de uma comunidade e fiz umas entrevistas com umas pessoas. Foi interessante ver a motivação de professores e outros funcionários quando conversavam comigo me dizerem que ali existem muitos tesouros, mas lamentável em ouví-los dizer que despercebidos e que os alunos só vão à escola pela merenda. Era de se esperar!! Vejamos o que podemos fazer por aqueles jovens... Nada que o tempo, paciência e Hip-hop não cuide. Dá pra não acreditar?


Aline :)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Um gentil pé de Mangaba



Durante essa semana eu ouvi inúmeras vezes a canção Gentileza de Marisa Monte. Entre outras e outras e mais outras. Como sempre, incansavelmente... Também descobri coisas interessantes sobre a vida do homem que inspirou essa canção. Vale dedicar um tempo pra ler sobre isso. Mas não vou dizer nada aqui... Pesquisa no Google. Ontem à noite eu assisti ao programa - Um pé de que? – com Regina Casé. Nessa mídia infame que invade nossas casas todos os dias, ainda são possíveis encontrar tesouros em alguns cantos da TV. Claro que o canal Futura é rico em vitaminas... Só pra quem gosta de ter um mente fortinha! Regina Casé é um ícone da popularidade e esbanja simpatia, deixando os povos por onde passa bem à vontade com sua presença. Isso me fez lembrar de um quadro que ela guiava no Fantástico, onde apresentou para o mundo as comunidades, vulgo favelas, Africanas. Foram noites de domingos muito bem aproveitadas. Em - Um pé de que?- ela esteve em Sergipe, na praia dos praianos, dos náuticos, dos marinheiros, do povo mais agraciado pela natureza. Lá ela nos apresentou uma fruta chamada Mangaba, que é a maior fonte de renda daquelas pessoas. A fruta parecia ser muito boa. Pequena como Abil e devia ser tão doce quanto jabuticaba. Sim, Aline adora frutas! Mas o legal de tudo isso eram os costumes e as venerações daquela gente. Dizem que a árvore de Mangaba foi plantada por Deus... Quando chegaram naquela região, elas já estavam lá. Também que elas não tem dono, ou seja, mesmo que estejam plantada no seu sítio, (como as que caem são as mais gostosas) quem chegar primeiro leva. Delícia demais ver a simplicidade deles, ver as crianças dizendo que o suco de Mangaba era mais gostoso do que o de Jenipapo... Como assim? Se falasse suco de manga eu poderia até fazer uma idéia (Risos). Lindo ver uma menina dizer: -O que tem valor na vida pra mim... É assim, você compra um batom de cinco reais. Esse batom não é a sua vida.- Quer coisa mais rica do que isso. Eu jamais tiraria um tesouro como esse dessa terra. Se acrescer algo... Estraga.



Gente, isso se chama viver de verdade. Significa dar valor ao que importa e se importar com o que tem valor. Pessoas como Gentileza ou como as vendedoras de mangaba de Sergipe entendem que a vida não se limita em construir legados palpáveis nem mesmo sugar do mundo até seu último segundo. A natureza não precisa de nós. Nós é que precisamos dela, disse uma pescadora. Porque somos tão reis de nós mesmos? Sinto que merecemos cada milímetro do que tem acontecido. Lamentável, mas real. Ah, mas como me deu vontade de saber que gosto a mangaba tem. Se um dia for à Sergipe, quero sentir de perto o cheiro daquela vida. Não deve ter nada melhor.

Aline :)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Era uma vez crianças no Tuiutí...


No dia em que fizemos essa roda foi um dos dias mais felizes que tive. Eram cerca de 60 crianças que poderiam, aquela tarde, estar olhando para o nada e deixando o tempo passar. Acho que nunca pulei tanta corda e nunca tive tanta vontade de permanecer num lugar como foi ali. Era como se eu olhasse e buscasse enxergar tantas possibilidades no meio de um povo que parecia não ter nada para te oferecer. Era como querer acertar na escuridão. Assim foi aquela tarde. O futebol dançava solto na quadra, meus amigos faziam pintura no rosto da criançada e a boneca do teatro buscava o brilho escondido em cada olhar. Era o dia das crianças e nós nem tínhamos uma sacola com brinquedos para distribuir. Tem hora que sinto que só a nossa presença fez daquele dia um dia especial. O beijo e o abraço que não faz parte do dia a dia... Foi preciso entender que isso teve mais valor do que qualquer presente... Pelo menos naquela tarde. Momentos simplesmente acontecem, pessoas surgem e depende de nós fazer de um instante bom o bastante para ser lembrado pelo resto de nossas vidas... Para ser inesquecível.


Pequeninos... minha oração é para que Deus faça seus caminhos. Vou guardá-los em meu coração! Sempre e sempre...
Ps.: Aline está nessa roda... de camisa roxa!!


Aline :)

Meu universo não é tão particular...








Viver momentos bons não tem preço... Para os que passaram, existe a saudade!!
Aline :)


segunda-feira, 23 de junho de 2008

Poema de Aline 1 e 2 - 1987.

Tô revirando o baú aqui de casa e olha só o que encontrei... Poesias de Elias Moreira, pai da escritora desse blog. Essas aí foram escritas certamente em 1987, o ano em que nasci. Vale a pena conferir e ver que não é por acaso que eu sou assim.
Poema de Aline (I)


Aline me pegou chorando
Seus olhinhos de anjo pareciam entender o motivo.
Ela não sabe que gente grande tem destas coisas
Coisa de chorar a toa, de sofrer por nada.
Mas Aline não é boba e, embora tão inocente, tão pequenina, sabe que não choro a toa...
Que a razão é tudo.
Ah!, se Aline soubesse que“aqui em cima” é tão ruim, nem viria pra cá.

Ficaria lá embaixo, eterna criança, feito Peter Pan da terra do nunca
A voar com pózinho mágico ao dizer Plim Plim.
Faz-de-conta Aline
Faz-de-conta e dorme...
Fica assim não...
Gente grande tem dessas coisas.



Poema de Aline II


Desta vez fui eu que peguei Aline chorando.
Virei-a de bruços e comeceia cantar canções de fazer dormir.
Atirei o pau no gato umas dez vezes e Aline... nada.
Cheguei a ameaçá-la dizendo que se não dormisse, a “cuca” viria pegá-la, e Aline... nada.
Cansei de “ir no tororó” beber água e não achar, e quando voltava, lá estava Aline...
Olhos arregalados a me espiar.
Com as mãos eu batia devagarinho nas costas de Aline...
E o sono que me dominava ia aos poucos contagiando a pequena.
Aline dorme. Levanto-me bem devagar, a respiração presa, silêncio total e quando vou saindo bem de mansinho...
Aline abre um olhinho só e me espreita, recriminando.
E com um sorriso me deixa ir em reconhecimento ao meu cansaço e ao sono que me rouba.




Aline :)