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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Bob, não se preocupe!



Há aproximadamente 23 anos, minha idade, entrava para o topo das músicas mais tocadas um single divertido, que cultuava uma confortável filosofia de vida: "Don't Worry, Be Happy!". Numa recente entrevista, o responsável por tal ária, Bob McFerrin disse: "Não gosto de Dont' Worry, Be Happy. Seu sucesso deu às pessoas uma noção distorcida do meu trabalho." Oras, mas que mau humor! Como assim não gosta, Bob? O mundo inteiro gosta! Essa se tornou uma reza, tal qual um judeu de joelhos em pleno muro das lamentações. Duvido que ao final de suas dúzias de repetições, ele não cita: "Don't Worry, Be Happy." É um culto à alegria.

A frase que atravessa décadas, é de Meher Baba, um guru espiritual indiano que declarou na década de 50 que era o Avatar da idade, ou seja, a reencarnação de Deus. Em sua biografia, conta que ele gostava da poesia de Hafez, um poeta persa, e dos ingleses Shakespeare e Shalley. Já Shakespeare, como um bom romântico atordoado, não cantaria essa canção.

Não sou discípula do Jazz, mas cresci como qualquer jovem fruto do final dos anos 80, sibilando U-u-u-u-u-u-u-u-u, e lá vai u-u-u-u-u-u-u. O maestro Mc Ferrin, nascido na mesma época em que o guru Baba se intitulou deus, hoje com seus dreads razoavelmente grisalhos, ao que parece, insiste em reafirmar a sua raiz musical sempre que tiver oportunidade. Em suas apresentações nos próximos dias 26 e 30, no Teatro Municipal, diz esperar que ninguém o peça para cantar esse Hit. Uma vez que seus amigos do Jazz disseram que depois do grande sucesso, ele havia os abandonado. Militantes do Jazz, declaram firmemente que a verdadeira inspiração é consequência do improviso. Improviso esse que vem sendo considerado corrompido pela nova geração musical. Ser surpreendido por um legítimo cantor de Jazz, é tudo que o público simpatizante e defensores armados dos pés à cabeça, esperam. Eu acho.

Felizmente ou infelizmente, essa canção já virou um clássico que rege comportamentos, direciona deprimidos e engana o todo resto. Musiquinha tema de comerciais da Coca-cola, Mc Donalds, Santander e Brastemp. Mandando todo mundo não se preocupar e ser feliz. Ok, Bob. Eu consigo entender você. Agora fica esperto! Espero que essa experiência te ajude a ter mais discernimento antes de sair por aí copiando frases de cartazes, escritas por gurus espirituais que lêem Shakespeare. Defendo Shakespeare, mas dentro da minha ignorância sobre o Jazz, não acredito haver harmonia entre os dois.

Ah, se eu fosse ao show do Bob, com certeza gostaria de ouví-lo cantar Here's a little song I wrote. Mas pra desmistificar essa lenda de que Mr. Mc Ferrin só ficou conhecido por causa do hit Don't Worry, compartilho uma de suas criações com alfaces crescendo por todos os cantos e uma letra que mais parece ter sido escrita por uma pessoa que acabou de fumar um baseado. Bob fora de órbita. Mas com a sua voz incrível, incomparável e estupidamente maravilhosa. É de preencher qualquer ouvido: Say Ladeo.


Amora.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Eu também acredito

RS. Me diga, qual você acha é o futuro do cristianismo?

BG. Bem, quanto ao cristianismo e quanto a ser um verdadeiro crente… sabe, acho que o que existe é o corpo de Cristo. Isso vem de todos os grupos cristãos ao redor do mundo, e de fora dos grupos cristãos. Acho que qualquer um que ama a Cristo, ou conhece a Cristo, é membro do corpo de Cristo quer isso seja consciente ou não. E não acho que veremos um grande avivamento que irá levar o mundo inteiro aos pés de Cristo. Penso que Tiago, o apóstolo Tiago no primeiro concílio em Jerusalém, tenha dado a resposta quando disse que o propósito de Deus para esta era é chamar um povo para levar o seu nome. É isso que Deus está fazendo hoje: chamando do mundo pessoas para levarem o seu nome, quer essas pessoas venham do mundo muçulmano, do mundo budista, do mundo cristão ou do mundo agnóstico; são membros do corpo de Cristo porque foram chamados por Deus. Pode ser gente que nem mesmo conhece o nome de Jesus, mas sabe em seu coração que carece de algo que não tem, e segue a única luz que tem. Penso que esses sejam salvos, e estarão conosco no céu.

RS. O quê? Estou ouvindo você dizer que é possível que Jesus Cristo entre no coração e na alma e na vida de um ser humano, mesmo quem nasceu nas trevas e nunca foi exposto à Bíblia? Essa é a interpretação correta do que você está dizendo?

BG. É sim, porque é nisso que acredito. Conheci gente em diversas partes do mundo que vive em situações tribais, sem nunca ter visto a Bíblia ou ouvido a respeito da Bíblia, sem nunca ter ouvido de Jesus, mas que cria em seu coração que há um Deus e procurou viver uma vida distinta da comunidade que o cercava e em que vivia.

RS. Estou profundamente emocionado de ouvir você dizendo isso. Há uma largueza na graça de Deus.

BG. Sem dúvida. Definitivamente há.

Billy Graham
em entrevista com Robert Schuller, 31 de maio de 1997

Viajar ao redor do mundo e conhecer o clero de todas as denominações ajudou a moldar-me num ser ecumênico. Estamos separados pela teologia e, em alguns casos, pela cultura e pela raça, mas essas coisas não significam mais nada para mim.

Billy Graham
U.S. News & World Report, 19 de dezembro de 1988



Peguei na Bacia.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Porque eu excluí meu Facebook e meu Twitter. Outra vez.

Que eu gosto de muito internet, todo mundo já sabe. Eu confesso que preciso dela e que ela tornou tudo muito mais prático e trouxe o mundo pra perto. Mas sem dúvidas, alguns hábitos podem ser mudados e deixados pra trás.

Há algo de muito bom e ao mesmo tempo de muito assustador nesse universo on line, on time e full time. Algumas vezes eu penso nessa velocidade que carrega tudo o que somos nas costas. Num tempo onde o mundo é plano, a capacidade dessa ferramenta de compartilhar, conectar pessoas, gerar democracia no acesso, entreter, expor, construir, destruir, aproximar e afastar, é algo indiscutível. E foi numa reportagem da revista "A rede", que trata de inclusão digital nas comunidades, que eu fui conduzida em outubro ano passado, a refletir sobre o acesso em si, e entender, de fato, que ele não significa informação. Na época, pensei pela segunda vez em excluir minhas contas nas redes sociais. Assim o fiz e fiquei 3 meses sem frequentá-la. No início deste ano, ativei-a novamente e hoje, após ler uma entrevista do escritor Nicholas Carr, concluí que definitivamente, as redes sociais ( e toda a internet) tendem a esgotar imperceptivelmente algumas habilidades naturais do ser humano. Segue abaixo a entrevista que o escritor concedeu à revista Veja, que me convenceu sem muitos esforços, a tomar essa atitude. Uma vez que vou para a Universidade em três semanas, tudo que vou precisar nos próximos 4 anos, é de uma memória impecável.

- A internet pode ser um perigo para a memória

"O americano Nicholas Carr, 52 anos, é formado em inglês e fez mestrado em literatura americana. Com uma prosa extremamente eficiente, Carr tornou-se escritor de não ficção. Escreve livros sobre cultura, economia e, especificamente, tecnologia. Quando a maioria das pessoas só via os benefícios da internet e as maravilhas do Google, Carr publicou um artigo na revista The Atlantic dizendo que, talvez, a rede mundial estivesse nos idiotizando. Ele contava que, como usuário intensivo da internet, vinha observando que sua capacidade de concentração e contemplação já não era a mesma. Ler um livro estava virando um sacrifício. Hoje, três anos depois, o escritor acha que melhorou um pouco, mas a custa da redução do seu tempo on-line. "Mudei alguns hábitos. Fechei a minha conta no Twitter e no Facebook. Os dois prestam um serviço útil, mas provocam muita distração, mandando mensagens o dia inteiro." Agora, com a pesquisa que mostra que o Google pode estar afetando o modo como a memória humana funciona, Carr sente-se como se já soubesse disso. Do estado do Colorado, ele falou a Veja por telefone e disse que o seu livro mais recente, The Shallows, que trata dos efeitos da internet sobre o cérebro humano, deve ser lançado no Brasil esse ano. Quando perguntaram o nome da editora brasileira, Carr deu uma resposta que vale a leitura da entrevista a seguir.




-O que o senhor achou da pesquisa que mostra que o cérebro tende a esquecer o que pode ser achado facilmente na internet?

A pesquisa é fascinante. Ela mostra a enorme plasticidade do cérebro. Claro que a memória humana já passou por mudanças com o advento de outras tecnologias de comunicação e informação, mas nunca tivemos à nossa disposição um estoque tão vasto e tão fácil de acessar como a internet. Talvez estejamos entrando numa era em que teremos cada vez menos memórias guardadas dentro do cérebro.

-Quando descarta a memória fácil de recuperar e armazena a memória que pode sumir, o cérebro está sendo inteligente?

Não. Acho isso perigoso. A perda de motivação para memorizar informações pode degradar nossa capacidade cognitiva. Na história humana, sempre guardamos memórias em lugares externos, fora do cérebro. A diferença, agora, é que a internet é imensa. O cérebro pode descartar um enorme volume de informações. Ou seja: no passado tínhamos lugares externos para complementar nossa memória; agora a internet pode substituir nossa memória. É um perigo. A memória fora do cérebro não é igual a memória dentro do cérebro. O que guardamos na cabeça nos permite fazer associações, conexões, aprofundar o conhecimento, elaborar, reelaborar. É isso que nos torna únicos.

-Sócrates, o filósofo grego, reclamava do advento da escrita dizendo que era um estímulo ao esquecimento. A internet não é a mesma coisa, em nova escala?

Há uma diferença importante. Sócrates reclamava do ato de escrever antes de a forma do livro ter sido inventada. Ele estava certo no estímulo ao esquecimento proporcionado pela escrita, mas a chegada do livro ajudou a ampliar a memória humana ao contribuir com o aumento da nossa atenção, da nossa capacidade de concentração. É possível que a internet, em algum momento no futuro, também seja complementada por outra invenção ou comece a ser usada de um jeito diferente, de modo a passar a exercer um papel semelhante ao que o livro teve para a escrita. Mas examinando-se a história da internet nos últimos vinte anos, o que se vê vai na direção contrária. Cada vez mais, a maioria das pessoas usa a internet para acesso a informações rápidas, curtas.

-O senhor acha que a internet está mudando nosso modo de pensar?

Sem dúvida. A internet estimula certos modos de pensar e desestimula outros. O pensamento atento, focado, concentrado é algo que claramente ela desencoraja. A internet estimula o usuário a folhear, passar os olhos, não a mergulhar com profundidade. Com a rede, nosso conhecimento está mais amplo, mas mais superficial.

-Ao mudar hábitos on line, o senhor conseguiu recuperar a concentração necessária para ler um livro como Guerra e Paz?

Consigo ler, mas é mais difícil do que antes. Tenho de fazer um esforço. Posso sentir minha cabeça resistindo contra ficar focada num conjunto de páginas por determinado período. Acho que, ao usar tanto meu computador para navegar na rede, acabei treinando meu cérebro para distrair, mudar de foco, dividir a atenção rapidamente. Para ler um livro, tenho de combater esse novo instinto.

-Seu artigo publicado na revista The Atlantic indagava se o Google estava nos tornando idiotas. O senhor chegou a uma resposta?

Escrevi o artigo, mas o título quem deu foi um editor da revista. Eu não usaria a palavra "idiotas". No fim das contas, acho que o Google, ou a internet de modo mais geral, está nos tornando superficiais como pensadores. Trato disso no meu último livro. Em algum momento deste ano, deve ser publicado no Brasil, inclusive.

-Qual editora?

Espere um momento. Só um momento...

-O senhor está consultando na internet?

Pois é, estou conferindo no site do meu livro.

-Ainda bem que a internet existe, não?

Mas acho que se eu estivesse sem acesso à internet eu conseguiria me lembrar. Está aqui, é Ediouro."


O velho ditado diz que para toda regra, existe sempre a célebre exceção. Tendências como essa, só me fazem perceber que eu não faço parte do grupo dos "excetos". Atentando em minhas deficiências, eu preciso abrir mão de coisas que, ainda que legais, não vão contribuir. Dessa vez foi pra valer. Acreditem, eu não vou voltar. Alguém quer apostar? =D

Aline.

Outro olhar


Amora.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Deu a louca no Lobo mau



Ontem à noite fiz uma bacia de pipocas para as crianças. Depois do Lucas, nosso caçula de 4 anos, ter reclamado que estava com pouco sal, comecei a contar umas historinhas infantis.

Até que cheguei na famosa e popular "Chapeuzinho Vermelho". Mas a minha versão ficou um tanto diferente. No fim de tudo, fui perceber o que havia contado para eles. Veja o que você acha disso:

Chapeuzinho foi pelo bosque. Até aí tudo bem.

De repente ela ouve um barulho e era o lobo gigante. Ele engole Chapéuzinho.

Vai até a casa da vovó e bate na porta. A vovó pergunta:

- Quem está aí?

O lobo responde:

- Sou eu vovózinha. Sua netinha.

"Mas que voz estranha!", pensou ela. Ainda assim, abriu a porta e perguntou:

Pra que os olhos grandes, a orelha grande, o nariz grande e a boca grande? (Aquele lero-lero que todo mundo já sabe.) Até que o lobo engole a vovó depois de uma grande luta.

Então, o capitão do mato ouviu os gritos, foi até à casa e matou o lobo. No fim, tirou a vovó e a Chapeuzinho ainda vivas de dentro do animal.

E todos viveram felizes para sempre.

Troquei algumas coisas aí, não troquei?

Amora e as Crianças.

Ps.: Só pra constar, elas adoraram a luta entre o lobo e a vovó!


sábado, 11 de junho de 2011

"Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio...
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada...

Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio."

=/

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A poesia que Cristo nunca escreveu



Houve um tempo em que os poetas deram a felicidade por perdida, e a trataram como uma genuína fantasia que atravessaria décadas. Fernando Antônio Nogueira Pessoa foi um dos que revelou em seus livros, que até mesmo a dor que se sente não passava de um fingimento, e que, em outro tempo, ser feliz exigia valentia.


Recentemente fui à uma exposição que aconteceu num centro cultural de minha cidade. DenominadaFernando Pessoa, plural como o Universo”, a belíssima mostrava a multiplicidade da vida e da obra do escritor português, que não me convenceu dentre tantos encantos e sentimentalidades, de que seu afeto pela felicidade, havia muito tempo, estava corrompido. Saí de lá na companhia de alguns amigos e pensei: Acho que Fernando Pessoa nunca foi feliz.


Nunca é muito tempo, mas o poeta versa com qualquer sentimento. Ele ama e sofre na mesma estrofe e intensidade com que desama e é desventurado. Tem uma indiscutível capacidade de nos fazer acreditar em seus opostos. Não se sabe a constância do que ele sente. Seus versos estão sempre ao inverso. Na mostra, andei entre corredores que expressavam as mais íntimas e profundas declarações do homem considerado um enigma, que traduziu toda a sua crise com a verdade e a existência, mostrando através da poesia que o seu contentamento com a vida dependia completamente da sua inclinação para imaginar: "Viver não é necessário. O que é necessário é criar."


Pensando em felicidade, cresci num bairro pequeno de vizinhos quietos. Todos os dias, quando criança, saía às ruas para brincar com os filhos desses vizinhos quietos. Nós ríamos uns dos outros e ao tardar o dia, cada um voltava para suas casas. Eu sabia que nem todos iriam encontrar em seus lares o que gostariam. Mas nas horas em que estávamos juntos, isso era o que menos importava. O essencial para nosso grupo de meninos descalços, era o tempo onde iríamos compartilhar e celebrar essa verdade e existência, coisas que na época, não era difícil para nós. As crianças são os mais sinceros e felizes de todos os seres humanos. Ainda que vivam em circunstâncias desfavoráveis, fazem questão de nos ensinar a olhar além do que nossos olhos podem alcançar. Quando Cristo estava perto dos pequeninos, não usava outro exemplo mais puro e sublime do que seus corações. Ele tinha prazer no louvor deles e na fiel expressão da alegria que contagiava a todos, ainda que fosse diante do medo e insegurança. A criança sabe considerar como a vida é preciosa. Elas são, sim, a melhor poesia de Cristo.


Diferente de Fernando Pessoa, Jesus não escreveu uma poesia repleta de incertezas e hesitações. Não precisou de heterônimos para ajudá-lo a se manifestar e dizer coisas de amor. De um amor tão instável e tão cheio de covardia. Na poesia de Cristo não existiu fraqueza. Não existiu mistérios e nem fingimentos. Ele justificou através da vida de pessoas tão pequenas, que ainda que estivesse chutando mesas e cadeiras, ainda que o povo se sentisse atraído a padecer em tristeza, ódio e decepções, era o perfeito louvor que saía da boca das criancinhas que iria cativar corações ao seu completo cuidado.


Numa das salas da exposição, havia uma mesa com dezenas de seus livros. Eram as mais diversas capas e traduções. Enquanto sentada, olhava ao meu redor. Percebi que alguns ali liam cada linha com deveras cortesia e delicadeza. Escritores, estudantes, admiradores e curiosos foram contemplados pela grandeza de um dos maiores poetas que já existiu. Pelo absurdo de tamanha harmonia entre as palavras e a sua triste história que a mim deixou evidente as aflições de um homem sofredor, iludidas pelas alegrias de alguém apaixonado pelo que fazia. Otávio Paz, um poeta mexicano, vem dizer que na vida de Fernando Nada é surpreendente. Nada, exceto os seus poemas". Eu digo que na vida de Cristo, tudo é surpreendente. Inclusive os seus poemas. Exceto o que ele nunca escreveu.


ALINE MOREIRA.


- Esse foi meu primeiro texto escrito com tema, prazo e caracteres determinados. Confesso que nunca achei tão difícil escrever.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Lucas


Lucas foi registrado.
Agora ele vai para a escola.

Hoje é aniversário dele.
Dei um Kinder Ovo de presente.
Fez 5 anos.

A vida segue.
Com motivos renovados.
Feliz.

Amora =)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

ALFA, porque eles são o princípio.

-Se você não é bem humorado, não leia esse texto. Escrevi na intenção de entreter. Redondo é rir da vida!!

Quando vi o comercial passando na Tv, fui tomada por uma imensa curiosidade: O que eu poderia encontrar numa revista destinada ao público masculino? Denominada "ALFA", chega à sua oitava edição trazendo na capa ninguém mais, nem menos do que o queridinho do Brasil: Luciano Huck. Sim. Eu comprei. Na dúvida entre ela e a tradicional ÉPOCA, que trazia assuntos relacionados a aplicativos para celular (Você já foi melhor, ÉPOCA!), decidi acabar de vez com esse mistério e descobrir o que, além de carros, mulheres e futebol, os homens pós-modernos andam cultivando em suas cabeceiras.

Inteligência - Boa vida - Elegância - Atitude: ALFA não apresenta o tipo de informação que responde aos interesses de todos os homens. Eu acho. Digo isso, porque seu conteúdo é totalmente reservado ao público que pode "pagar" pelo que ela "vende". Tão óbvio quanto uma Marie Claire da vida. Mas preciso confessar que a revista é realmente esclarecida. Eles sabem do que estão falando. As matérias são adornadas por um tamanho bom gosto, recheadas de bom humor e muito bem articuladas. E me confortou saber que: HOMENS TAMBÉM FALAM DE SAPATOS! Isso não é demais? Começando pelas palavras do diretor de redação, Kiko Nogueira, eu me diverti observando cada página, e achei o máximo ver que eles são mais sensíveis do que podemos imaginar.

Fui questionada se precisaria ler uma revista como esta para chegar à algumas conclusões. Não. É só uma questão de composição, afirmação, comunicação e retoque. Saber através de um veículo de informação o que os homens pensam sobre tudo que está acontecendo no mundo, não irá interferir no meu parecer à respeito deles. Defendo que, na vida, cada sexo contribui da maneira que lhe apraz. E eu aprecio muito a forma - correta - que o homem conduz e se inclina à sua vocação enquanto "o cabeça".

Bem, para começar, não há como fugir. Encontrei 10 propagandas sobre carros, dos mais variados estilos e todos exageradamente caros. 21 propagandas sobre roupas e acreditem, poucas coisas sobre nós, mulheres. Estavam indo muito bem, até eu chegar na penúltipa folha, de uma revista com 210 páginas, e encontrar um anúncio da "Playboy". Agora, eu só não sei em qual dos atributos em negrito citados acima, o exagerado anúncio se encaixa. Vai saber!?

Gostei de um jeito especial das entrevistas, que foram feitas por duAs repórteres, é claro. Que outro ser na face dessa terra poderia absorver de um indivíduo seu lado mais bonito, senão a mulher? Aos que gostam do U2, será surpreendido por uma entrevista com McCormick, amigo de infância de Bono Vox, que relata com muita autoironia e humor negro a sua relação com o astro. A sinceridade dele ao nos contar que "Bono roubou sua vida", é irreverentemente engraçada. Mais a frente, encontramos umas das últimas e doces palavras de José Alencar, que nos emociona novamente com tanta estabilidade em seu coração. Não fosse uma revista para "másculos" e minha tentativa ousada em compreendê-los, eu poderia ter chorado dentro do ônibus enquanto lia:

"O mal que o câncer me fez não supera a compreensão que ele me trouxe.[...] A vida não é tão difícil assim não. Basta andar direito."

Seguimos à outro excelente encontro com Hugh Laurie, que numa breve conversa com Ana Maria Bahiana, falou sobre o seu insuportável e brilhante personagem: Dr. House. H. Laurie nos revela que sua mãe tinha dificuldade com o conceito de felicidade e que delicadeza para ela era sinal de fraqueza. Durante muito tempo, já adulto, disse ter se perguntado se algum dia ela teria gostado dele. Fala de suas frustrações no processo de encontrar a sua vocação e confessa a sua paixão pelo blues, lembrando que quando tinha 11 anos, sua nuca arrepiou ao ouvir Howlin'Wolf.

Não posso esquecer de contar que, antes disso, passei por uma página que me arrancou risadas. Quem são as donas das perguntas em seções de auto-ajuda e que assinam como anônimas? As mulheres, sempre. Pois os homens também não querem se revelar quando acham que estão se expondo ou perguntando algo considerado vergonhoso. Para deixar o ambiente mais masculino, eles chamaram a coluna de Fórum, unida de uma frase que contribui para tamanha discrição, é claro: Nossas respostas para suas dúvidas mais cruéis.

Ha. Ri das perguntas e da crueldade nas respostas. Até porque, quem as responde é um personagem. Dessa vez o convidado para amenizar o sofrimento dos rapazes foi o arrogante Rhett Butler, de E o vento levou. Levou mesmo. A reputação dos coitados embora. Você tem alguma pergunta? Escreva para: forumalfa@abril.com.br Sinto muito se calhar de ser o Mr. Bean a responder você! Ha! Mil vezes, HaHaHa!

Certo. Vamos voltar ao lado sério do negócio. Bem, temos uma página com uma receita. Hum. Apetitosa e bonita, a fotografia é de um frango crocante com risoto de tâmaras, dita perfeita para um jantar a dois. Entendem porque eu falo que essa revista não é para qualquer homem se inspirar? O kg da tâmara custa em média R$20,00. Quase o preço de uma pizza de fim de semana pra gente parar de reclamar. Oras, e para espantar a insegurança dos desacostumados na cozinha, eles colocam no final da página um asterisco: Alfa garante: esta receita não requer prática nem habilidade.

Ótimo. Desde de que ele lave a louça depois. Adorei o frango. Vou fazer qualquer dia. Seguindo. Tecnologia, cuecas, gravatas, dicas de etiqueta. Dicas de etiqueta? Sim. É. Dão dicas de como se portar diante de um homossexual. Parece um parto. Descrevem diversas situações e como se sair bem delas sem serem ofensivos e tornarem tudo embaraçoso. Interessante, até porque isso para os homens não é algo tão simples. Por mais tolerantes que pareçam ser, ou realmente sejam. Tudo bem. Entendo. Bons textos, opiniões, Huck ocupando quase dez páginas, uma matéria sobre Scarlett Johansson, blábláblá, Picasso e o sexo, mais carros, esporte e política. Ah, a política masculina! Excelente matéria falando sobre a tola disputa de Lula com seu antigo adversário FHC: Quem é o mais ativo ex-presidente do Brasil. Claro que é o Sarney. Isso é indiscutível! Mas a disputa é só entre os dois. Ok, então. Bem, levando em conta o preço da palestra de cada um: Lula 200 mil e FHC 180 mil, eu fico com FHC que, não é nada, não é nada, mas 20 mil faz muita diferença.

E como não poderia faltar, nosso príncipe meninas. Digo, o príncipe da Kate. Amigas, ele está lindo na foto. Porém tantas coisas para se falar sobre o nobre William, eles me vem com um papo de: Qual terno o príncipe vai usar na boda. Aloooouuu?? Ele tem um coração, sabia? Bando de ingratos! Oh, meu Deus... eu adorei a matéria sobre o chapéu Panamá contando a sua história. Havia falado hoje com uma amiga que quero tanto! No vitral da igreja de Cuenca, no Equador, até Jesus usa um. Porque não eu?

Mais ternos, falam sobre higiene (ufa!) e acreditem: Dizem que rosa é cor pra macho e que "abaixo o preconceito!". E mais: Afirmam que nós adoramos homens de roupa rosa. Tá. Nada contra, mas eu prefiro preto. Deixa o rosa pra mim. Não. Nem eu curto rosa tanto assim. Usem, seu lindos! Usem rosa à vontade. Mas não exagerem. Perfumes e um treinamento rigoroso para ficarem igual ao Wolverine. Amados, é possível isso? Sinto lhes informar: Wolverine é um personagem. É tudo mentirinha! Volta pra sala e vai ser seu futebol.

Café, a Playboy da qual já falei e pra encerrar com chave de ouro, uma página com fatos que os deixam muito assustados. O mais medonho, é a historinha da Gretchen que se casou pela décima quinta vez, se separa minutos após a cerimônia e já está de casamento marcado com o taxista que a levou para casa. Eu também não gosto disso, meus caros. Mas até que o vestido dela era bonito. Qual será o medo? De serem os próximos? Creio que não. Homens que lêem ALFA, estão sendo treinados para a vida. São muitas dicas e belas sugestões de como se tornarem verdadeiros cavalheiros contemporâneos. Adorei a revista. Inteligente mesmo. Muito mais interessante do que uma feminina. Só lamento ter que lembrar um detalhe. Pequeno, mas deveras importante: Vocês esqueceram da seção dos horóscopos. Meus amores... o que será de vocês se não souberem o que os aguarda no futuro e como será o nosso humor no dia seguinte? Tisc! Quase perfeitos. Quase.

Um beijo da Amora.
Até a próxima!

sábado, 23 de abril de 2011

Zé Domingos

É, Domingos.
Catequizaram a sua fé.
Trova virou religião
E romaria não se faz mais a pé.

A comunhão se dá pelo pão.
Converteu-se o sentido, seu Zé!

É, Domingos.
Alienaram a sua devoção.
Doutrinaram a sua vaidade.
Negociaram a recordação.

A comunhão se dá por canapé.
Inverteu-se tudo, seu Zé!

E agora fica aí
Zé Domingos celebrando.
Nem sabe mais a causa
Pois que vive confessando.

A comunhão, seu Zé, dá-se por coração.

Fazem com Domingos:
Chamo eu de sedução.
Essa palavra impetuosa
Fez da gente generosa
Contestar o salvamento
Ao invés, ressurreição.

Feliz Páscoa, Zé Domingos!


Amora.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

quarta-feira, 30 de março de 2011

terça-feira, 15 de março de 2011

Eu conheci o Seu Darci

Uma história apimentada pra vocês.

A pimenta “dedo de moça” é bonita. No Natal lá de casa, comprei algumas para decorar um dos pratos. Vermelhinhas, paguei um real em três delas. A única coisa que eu não sabia, era que seu Darci vendia de sua plantação em Vieira, um caixote de feira, cheio delas, por apenas uma nota de vinte. Ele mesmo me disse isso.

Quando ia em direção à casa de Patrícia, vi um senhor de 59 anos, de aparência cansada pelo tempo, no meio de um matagal bem desorganizado. Digo isso porque é muito comum aqui na cidadezinha, a plantação ser de uma ordem invejável. Mas seu Darci, não. Enquanto o grupo decidia na esquina em qual direção seguir, fui até ele e perguntei: - O que é isso, moço? E ele respondeu: - É pimenta “dedo de moça!” Disse como quem conhece. Como quem sabe e faz leitura de seu ofício todos os dias. Então um jovem se aproximou dele, dentro de seu quintal, e lhe ofereceu uma bíblia. - Ah, vocês são crentes? - disse ele. – Os crentes são bom! Nem sempre, seu Darci. Pensei. Segui meu caminho e decidi voltar ali outra hora.

Voltei.

- Ô senhor, posso entrar? Não. Não havia um portão e nem mesmo um muro cercando o lugar. Entrei e ele muito simpático – muito mesmo – me recebeu com um sorriso deveras incompleto, porém mais sincero impossível. Era homem negro, de barba branca encaracolada, vestindo um terno cinza desbotado e com uma bermuda sem braguilha. Descalço, arrancando encurvado as pimentas uma à uma:

– Pode chegar. Vem cá!

Eu estava sozinha. Olhei para um lado e outro e pensei: Aqui tem uma história. Dito e feito, Seu Darci foi um achado. Conversou comigo e me mostrou em meio ao seu “desorganizado mato”, o que pra ele era mais importante. Tudo que seu coração podia alcançar, importava.
- Eu não planto só pimenta, não. Eu planto milho branco também. Aipim e Inhame têm lá na lavoura. Me disse quando um milho está bom:

- Ele tem que tá envergado assim, ó.

Mostrou-me meia dúzia de folhas que lhe serviam na hora das dores:

- O nome dessa é “tibiótico”. – É o que Seu Darci?, Duvidei. – Tibiótico. É bom pra dor de cabeça.

Certo, então. Ele está dizendo. Alguns minutos depois apontou Dona Elza. Escondida naquela casinha de dois cômodos só, ela olhou desconfiada, mas logo veio falar também:
– Oi, tudo bom com a senhora? Falei. - Tudo bom. E você?

Juntos há quatro anos, me convidaram pra entrar e tomar um café. Mais três jovens se aproximaram e ficaram até o fim da nossa breve prosa. Perguntei à ele se gostava de assistir televisão: - Gosto. Gosto dos programa que fala de cura. De Jesus, de Deus.[...]

E nos contou assim da noite do dia onze:

- Eu vi a casa balançando, mas cheguei aqui na minha porta e falei com Deus. Eu tive muita fé. [...] Eu queria ajudar as pessoas na hora, mas num dá. A gente só faz o que pode.

Enquanto Dona Elza passava o café, ele contou que já havia sido casado:
- Eu tinha 22 e ela 14. Era uma menina, mas cozinhava muito bem. - Mas casou com ela, seu Darci?
- Não. Só juntei. Eu tenho uma filha, mas não sei dela não. [...] Já quis ir pra São Paulo, mas Elza não quis.

- E o senhor já casou com dona Elza? - Não. Só juntei também. Mas eu vou casar com ela.

Todos riram. Veio ela nos servir o café e eu agradeci:
- Muito obrigada, mas eu não bebo café. - Não bebe café? – perguntou ele. - Não. E nem refrigerante! - Você é saudável demais. Então você quer leite? Tem leite. Dá leite pra ela Elza.

Rimos outra vez. Descobrimos que a geladeira da casa não funcionava e que a usavam como se fosse um armário para guardar suas coisas. Falamos mais sobre pimenta.
- Só não bota a mão no olho!

Brinquei dizendo que eu era brava, como a pimenta e ele retrucou:
- Você é moça e pode ser braba, só que não queima como ela.

Foi divertido conhecer seu Darci. Uma pessoa que me intimidou com sua tamanha falta de constrangimento. Pela simplicidade que saía pelos poros. Pela sua razão em se contentar com tão pouco e ainda assim, querer compartilhar o pouco que tem. No dia seguinte, voltei lá. Ele estava esperando o moço que iria comprar o caixote de pimenta. Aquele que demorou quase duas semanas para encher.
- Vai vender por quanto, seu Darci? - Vou vender por vinte. - Não, seu Darci. Vende por 35! O que acha?

Ele riu e disse que assim o faria. Parece ter gostado da idéia. Resmungou algo do tipo:

- É. 35, né Elza?
Já indo embora, ele falou:
- Você não vai querer pimenta? - Tá bem. Só uma. - Só uma? - Resmungou com dona Elza. - Aqui. É tudo pra você.

Meu cálice transbordou. Eu sabia que ele não queria nada em troca. Foi só porque eu estive ali. Só falamos de pimenta e café. Cantei um trecho da “Tristeza do Jeca” e rimos das coisas importantes pra eles. Elas devem se tornar importantes para mim. Quando saía, com minha sacola cheia de pimentas, ele disse:
- Quando eu for casar vou mandar um convite pra você. Aí você vem fazer o casamento?

Disse sim, ri e agradeci. Então só pensei:
Talvez nunca mais o veja. Mas tudo bem. Não tem problemas. Eu já conheci o seu Darci. Tenho pelo que esperar.


Os bastidores:
Sobre a pimenta que ele me deu


Nunca mexi com pimenta. Gosto do cheiro dela, mas me atrevo cabreira quando coloco na comida. Acordei sábado passado e nem tomei café. Passei a mão na sacola. Estava ansiosa para preparar tudo e colocá-la num bom azeite que encontrei numa promoção. Adoro promoções. A boba aqui, começou a cortar os cabinhos das malaguetas como se fossem galhos de uva ou ponta de quiabo. Feliz da vida. Até aí, tudo bem. Preparei tudo. Coloquei no vidro. Ficou lindo. Algumas horas depois, minha mão pegava fogo!! Não há como descrever. Parecia um fósfoto aceso na palma dela. Passei a tarde toda passando gelo e sacudindo ela pela casa.
Pois bem Seu Darci. O senhor só me disse pra não colocar a mão nos olhos, não a mão na pimenta! Levei ela lá pra casa... deixei lá. No alto do armário da cozinha da minha mãe. Um dia, algum corajoso vai entender do que eu estou falando.

Paz e bem.
Amora.
Aprendiz de pimenta.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Mãos dadas

"Não serei poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande. Não nos afastemos.
Não nos afastemos muito... vamos de mãos dadas.

Não serei cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicidas.
Não fugirei para as ilhas ou serei raptado pelos serafins.
O tempo é minha matéria, o tempo presente,
os homens presentes, a vida presente.
-Drummond-


Dia da poesia.
#poesiaétododia
Paz e bem
Amora:)

sábado, 12 de março de 2011

Bom fim de semana


"A gente não erra quando ama uma pessoa. A gente erra em esperar que ela nos ame da mesma maneira."

#meditandoemamor
Paz e bem.
Amora:)