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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Felicity

Não tenho o hábito de acompanhar séries de TV. Mas há algumas semanas, uma série me tira uma hora por dia. Tem sido divertido acompanhar Felicity, uma jovem universitária que enfrenta situações diversas em sua rotina na cidade de Nova York. Divide suas histórias com alguns amigos e Benjamim, seu namorado complicado e perfeito.

Depois que comecei a assistir o sitcom "Felicity", me identifiquei tanto com a série a ponto de pensar que o estilo de vida da personagem, é um estilo tão ideal que, por esse motivo, não passa de uma ficção. Acontece que quanto mais perfeitas as coisas parecem ser, mais distantes elas ficam. Oras... Isso é tão óbvio! Enfim, a série já foi premiada. Lançada no ano de 1998, ela retornou com tudo no canal da Sony. Também já fez parte do quadro de programações do SBT.

A segunda temporada está sendo exibida no Sony Entertainment Television, de segunda à sexta, às 10h da manhã , com reprise às 17h. Para quem tem acesso a esse canal, não aconselho assistir se você não puder acompanhar. Sorry!!! A trama é super envolvente e trata de assuntos bem atuais, fazendo de você um fã de carteirinha. Fora ver o Noel e o Ben todos os dias...

Ah, essa aí já é outra parte! Risos.

Paz e bem.
Li:)

sábado, 3 de abril de 2010

Eu sempre pensei que viver de aparência era tolice. Ainda sustento essa idéia. Só nunca imaginei que tal tolice fosse alcançar lugares onde a transparência deveria prevalecer. Nunca imaginei que para isso, as pessoas usariam a lei e pisariam na graça...

Para manter uma espécie de vida tão cheia de vazio. Eu prefiro, em paz, contrariar o universo.

Ainda fico a favor da verdade! Como é triste ver o homem jogando aos dados...

"As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras"
(F.N.)
Paz e bem.
Aline.

terça-feira, 30 de março de 2010

Chuvas da paixão

O texto que escrevi recentemente sobre as mulheres, causou desconforto em algumas pessoas. Não. Aline não é feminista. Ela não acredita neste movimento! Defender a minha identidade e querer afirmá-la, não quer dizer que sou radical. Deixo claro que me baseei em questões isoladas sobre este universo para agregar as idéias compartilhadas. As mulheres ocidentais, por exemplo, mesmo sendo partes de países desenvolvidos em diversos aspectos, ainda são vítimas da exploração. Burras são as que se permitem isso! Não posso acreditar que numa nação, como o Brasil, onde a exposição do corpo feminino e a exploração visual do mesmo, afirme a nossa identidade com dignidade e respeito. Isso não é respeito e muito menos liberdade. Muito menos ainda gera dignidade em alguém.

De fato, chamar a atenção dos outros para uma realidade tão devastadora, nada prova contra meu romantismo. Neste eu acredito. Acredito no amor, no casamento, no sexo, no relacionamento e em flores. Acredito em palavras bonitas, em mãos dadas e em um monte de bobagens. Porém, isso não me dá o direito de silêncio. Enquanto houver voz e mãos para escrever, vou continuar lutando por coisas que acredito. Como prova disso, deixo aqui a última invenção mais fofa de todos os tempos. Segundo a revista Época, uma empresa norte-americana decidiu apostar no guarda-chuvas para casais. A novidade chama-se Dualbrella e seu tamanho é suficiente para abrigar duas pessoas. Olha que gracinha! Tô dentro... pelas chuvas da paixão.



segunda-feira, 29 de março de 2010

Caíque e a Hora do Planeta.

Participei da Hora do planeta em minha casa. Caíque estava lá. No escuro da varanda:

- Aline, porque tem que apagar as luzes?

Eu fui explicando pra ele. Até que falei sobre economia de água. Disse que ele precisava economizar água, senão quando ele tivesse filhos, eles não teriam água pra beber. Bem dramática, entendem? Então ele falou:

- Bem, então é bom eu comprar um monte de garrafa de água pra guardar!

Boa idéia!

No dia seguinte:

- Caíque, o que você quer ser quando crescer?
- Hmmm... Ou trabalhar na pedreira ou ser lixeiro.

A vida segue...

Paz e bem.
Aline.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Gente...
Ando meio ausente. Desculpe. Mas tenho coisas novas e em breve posto aqui!!

Obrigada pela visita!

Abraços.

Aline.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Alta tensão




"(...) Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!"
-Clarice Lispector-

"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!"
-Bruna Lombardi-

Paz e bem.
Aline.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Humano do sexo feminino

No dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano. Somente 53 anos depois, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o dia 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Em 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU - Organização das Nações Unidas. Durante muito tempo a história foi escrita sob a ótica masculina e pela classe hegemônica, ou seja, a supremacia de um povo sobre outro. A figura da mulher raramente era apresentada pelos historiadores, mas muitas vezes aparecia marginalizada e repleta de privações. Logo, nasce uma questão: Porque, desde o princípio, a mulher é tão desvalorizada?

O Criacionismo nos apresenta Eva. Primeira mulher criada diretamente por Deus das costelas de Adão. Um ideal de perfeição, o apogeu da beleza e a interpretação da razão. Esta, numa tarde florida no Éden, não resiste ao dito fruto proibido e rompe então o nexo, entre a criatura e o criador. Como conseqüência da sua infidelidade, dá-se início a uma era de dores e desencontros. O vácuo se instala na existência. Até o século XVIII isso era naturalmente bem aceito, mas nasce o evolucionismo que afirma a evolução da espécie, ou subsistência por meio da seleção natural. Popularmente falando, nós mulheres, somos resultado de primatas peludos. Primatas não usam sutiã. Na idade da pedra, a mulher serviu para servir em todos os sentidos. Num certo período ela passa a dividir as tarefas com o homem e claro, sua característica reprodutora era uma de suas principais funções. O tempo passa e com ele passamos por diversos períodos na história. Evoluímos, descobrimos e logo ficamos modernos. A mulher conhece o batom, o salto alto e o voto feminino é então, aprovado. Gritamos para a sociedade, portanto estabelecida, que criadas ou vindas de macacos, não éramos inferiores a nada nem a ninguém. Então ela percebe que não é menos capaz que o homem, mas possui a mesma capacidade de aprender e produzir. Durante muitos anos, por ter a sensibilidade confundida com fraqueza, a mulher foi vista pelos homens como objeto para satisfações sexuais e um indivíduo com suas habilidades voltadas apenas para a manutenção de um lar, fazendo com que muitas fossem anestesiadas por este absurdo e assim, aceitando essa imposição preconceituosa, egoísta e cruel. Imposições baseadas em sentimentos de covardia, autoritarismo e na completa falta de percepção do que na verdade, a mulher representa. Aquilo que constitui a sua natureza, o que predomina na sua essência e que ser frágil não dá a ninguém o direito de benefício. É verdade que há total virtude quando esses conceitos são cultivados da maneira correta. O contrário viria resultar em situações extremamente desconfortáveis, que dariam vida a discussões que nunca teriam fim. E foi exatamente isso que aconteceu.

A luta da mulher por estabilidade não é algo que nasceu no berço do capitalismo ou na era moderna. Não é uma fantasia, não é luxo e nem mesmo TPM. É a convicção de que somos seres humanos e merecemos o mesmo respeito que é dado a qualquer um. Diante de diversos movimentos que já foram feitos, para afirmar pro mundo a nossa identidade e a importância que temos em frente às conquistas e ao desenvolvimento de uma sociedade, ainda é possível encontrar, infelizmente, pessoas, inclusive a própria mulher, defraudando os valores que, insistentemente, temos tentado romper com o mundo. Valores fragmentados, humilhantes e completamente desiguais. É muito constrangedor encontrar mulheres que aceitam isso como se fosse um troféu. Fiquei assustada em ver que em pleno século XXI, num mundo totalmente globalizado, hoje chamado de era digital, quando procurei assuntos que tratavam de mulher num site de pesquisas e deparei, na primeira página, com todos os sites voltados para a sexualidade feminina e para toda futilidade que somos obrigadas a carregar nos ombros. Tudo isso porque, por ignorância talvez, o homem ainda não percebeu que nós não somos um brinquedo para a excelência de seus desejos e nem uma máquina procriadora. Tudo que o corpo feminino pode oferecer deve ser respeitado e louvado. Incluindo a nossa capacidade de fazer coisas que estão muito além do que o homem possa imaginar. Que essa verdade ecoe pelos continentes e alcance, por direito, qualquer lugar que haja “calcinhas no box”. Meninas, qual a graça de um reino sem uma rainha? Seja sempre cultivada a essência feminina, mas não seja esquecido que “Sonhar é acordar-se pra dentro.”, palavras de Mário Quintana. Somos humanos, a diferença é que somos do sexo feminino. Parabéns à todas as mulheres, todos os dias!
Por Aline Moreira
em O Redator.

Paz e bem.
Aline.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Perto de Ti...

Não podia deixar de relatar esse fato aqui. Não quero apelar, comover e muito menos convencer ninguém. Mas às vezes, ver a essência do que acredito brotar com tanta simplicidade e veracidade, me faz lembrar de coisas que, vagamente, coloco numa caixinha na minha estante de preciosidades. Poucas coisas me fazem chorar. Diante da rotina, das vezes que falta esperança, falta fé... a vida nos mostra de perto, mesmo que seja com muita dor, o Inexplicável que habita em nós. Haja o que houver, venha o que vier, importa a certeza de que um dia vamos encontrar com Ele! No site Genizah encontrei essa reportagem:

-Pastores presos nas ferragens louvam à Deus com hinos e levam os bombeiros às lágrimas.

Dois pastores evangélicos e um motociclista morreram num acidente envolvendo sete veículos, na manhã de ontem, na Rodovia do Contorno, trecho da BR 101 que liga Serra a Cariacica.Os religiosos pertenciam à Igreja Assembleia de Deus e haviam saído de Alegre, município da Região Sul do Estado, rumo a uma convenção estadual da igreja em Nova Carapina II, na Serra.

Os veículos - cinco caminhões, uma moto e um automóvel Del Rey - bateram um atrás do outro. O engavetamento aconteceu às 8h15, no quilômetro 277, na Serra. Os pastores estavam no carro.Tudo começou quando um caminhão freou por causa do intenso fluxo de carros no sentido Cariacica - Serra. Os veículos que vinham atrás dele frearam também, mas o último caminhão - de uma empresa de cerveja - não conseguiu parar a tempo. Com isso, os veículos que estavam à frente foram imprensados uns contra os outros.

Os pastores José Valadão de Souza e Nelson Palmeira dos Santos e o motociclista Jonas Pereira da Silva, 52 anos, morreram no local. Dois outros pastores, que também estavam no Del Rey, sobreviveram, e o motorista de um dos caminhões sofreu arranhões nas pernas. Nenhum dos outros caminhoneiros ficou ferido.O proprietário e condutor do Del Rey é o pastor Dimas Cypriano, 61 anos, do município de Alegre. Ele saiu ileso do acidente e teve ajuda do motorista José Carlos Roberto, carona de um dos caminhões, para sair do veículo.Seu amigo de infância, o pastor Benedito Bispo, 72, ficou preso às ferragens. Socorristas do Serviço Médico de Atendimento de Urgência (Samu) e bombeiros fizeram o resgate dele.

O pastor teve politraumatismo e foi levado para o Hospital Dório Silva, na Serra.A mulher de Benedito chegou a ver o marido sendo socorrido e teve que ser amparada por um familiar. Ela também seguia para a convenção num outro veículo. A rodovia ficou interditada durante vários momentos da manhã de ontem nos dois sentidos. O trecho só foi totalmente liberado no início da tarde.O pastor Dimas Cypriano, que sobreviveu ileso ao acidente na manhã de ontem, no Contorno, contou que usava cinto de segurança e que ficou preso ao tentar sair. Ele dirigia o Del Rey e disse que precisou de ajuda para sair do carro. Mas depois continuou no local, acompanhando os trabalhos de resgate do colega, Benedito Bispo.

Nas mãos, levava uma Bíblia que ficou suja de sangue. Mas isso não impediu que o pastor orasse durante o socorro.O mais comovente do triste episódio, foi o relato dado por 2 pastores sobrevivente, e pelos bombeiros que tentavam tirar os pastores ainda com vida, que estavam presos nas ferragens.As testemunha citadas acima, contam que os pastores Nelson Palmeiras e João Valadão, ainda com vida e presos nas ferragens, em meio a um mar de sangue que os envolvia, começaram a cantar o Hino 187 da harpa cristã:

Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Ainda que seja a dor
Que me una a ti,
Sempre hei de suplicar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Andando triste
Aqui na solidão
Paz e descanso
A mim teus braços dão
Nas trevas vou sonhar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Minh'alma cantará a ti Senhor!
E em Betel alçará padrão de Amor,
Eu sempre hei de rogar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
E quando Cristo,
Enfim, me vier chamar,
Nos céus, com serafins irei
Morar
Então me alegrarei
Perto de ti, meu Rei, meu Rei,
Meu Deus de ti!

Aos poucos suas vozes foram silenciando-se para sempre. As lagrimas tomaram conta dos bombeiros, acostumados a resgatar pessoas em acidentes graves, porem jamais viram alguém morrer cantando um hino, como foi o caso dos pastores Nelson Palmeiras e João Valadão .
Fiquei emocionada e sem palavras...
Assim seja!
Paz e bem.
Aline

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Tô sem computador.
Em breve textos novos.
É que minha cabeça tá a mil também.
Coisas da vida...

Obrigada pela visita!!

Grande abraço!
Aline.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010


"Tolerância é a paciência concentrada."
-Thomas Carlyle-

Paz e bem.
Aline.

Eu sou a Paz

"A minha alma está armada e apontada para a cara do sossego.
Pois paz sem voz, não é paz, é medo.
Às vezes eu falo com a vida,
Às vezes é ela quem diz:
'Qual a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz?'"
(O Rappa)

Durante os quatro dias de carnaval estive com a Jocum pelas ruas do Rio de Janeiro, participando de mais um impacto realizado pela Ong. Este ano o tema foi "Eu sou a Paz - Porque a sua alegria pode durar o ano todo." Falar de paz para mim sempre pareceu algo bem simples, mas dessa vez eu vi que viver a paz implica mais num estilo de vida do que num discurso que já cansou. Os dias me fizeram entender que eu, como promotora e defensora convicta disso, requer de mim um senso de responsabilidade nunca antes vivido, mesmo buscando conhecer à Deus e a "andar como Ele andou".

Quando deparei com idéia central do evento, confesso que achei difícil um primeiro contato com as pessoas que iria encontrar nas ruas. Pensei que, certo ou errado, muitos já teriam um conceito de paz bem estabelecido e apresentar uma nova proposta tornou-se para mim um grande desafio. É verdade que deparar com um cenário violento e decadente como o do Rio, poderia nos confortar, de certo modo, em pensar em levantar uma "bandeirinha branca" para consolar a massa de corações aflitos e sem esperança, mas o carioca tem andado tão neutralizado que ele seria capaz de tratar esse assunto com frieza e até desdenhar sem um pingo de respeito. O que acontece é que muitos, senão a maioria, mesmo com opiniões tão fixadas, carregam dentro de si uma esperança que nem eles mesmo sabem de onde vem. Como disse Saramago: "Dentro de nós existe uma coisa. Uma coisa que não tem nome. Essa coisa é o que somos."

Ao entender o que Deus queria nos ensinar sobre a paz, me trouxe um compromisso muito maior do que o velho hábito de cultivar um sentimento radicado na idéia nada generosa que alimentamos sobre o "amor ao próximo". Entender que amar significa muito mais que nobres emoções ou o conceito de civilização ideal que fazemos, requer não só atitudes de paz, mas sim ser essa paz. E ser a paz revela em nós o caráter daquele que tudo criou e tudo formou.

Daí encontramos pessoas de todos os tipos e isso não é novidade num carnaval carioca. Pessoas de todas as cores, de todas as danças, de todos os brilhos. De todas as mulheres, de todas as crianças e de todos os sons. Homens de bem e homens que só queriam ver. Ver as luzes, os fogos e os passistas de dentro e fora da avenida. Vimos crianças de colo no colo e no chão. Vimos crianças por todos os lados. Tinha jovens parados por dentro e por fora. Tinha muito riso, muita beleza, muita alegria e muita tristeza - essa escondida porque carnaval não foi feito pra ficar triste, a não ser "triste de felicidade". Tinha bandeiras, batuques e balões. Flocos, folia e dezenas de foliões. E eu vi também a nudez revelada sem pudor e, quimera, com pudor. As ruas do Rio estava repleta de uma solenidade que comemorava a transição temporária de humor. E foi o barulho das gargalhadas e dos choros que moveu a gente. Que levou a gente pra mostrar que a alegria é uma escolha e que pode sim, durar o ano todo. A vida toda.

Levada a pensar na paz que excede todo entendimento gerou em mim um desejo imensurável de querer compartilhar isso com o mundo todo, porque eu não consigo aceitar que o homem insista em culpar Deus pelo que nós nos tornamos. Mas eu consigo acreditar que se eu insistir em fazê-lo desistir, viveremos dias onde o discurso irá se tornar uma breve história contada em papéis, escrita por homens dos tempos da desilusão, que se tornaram fábricas da paz porque conheceram o autor da vida. Assim eu acredito. Assim seja.

"É pela paz que eu não quero seguir admitindo"

Eu sou a paz. A minha paz vos dou...

Paz e bem.
Aline.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Pequenas Misses-High Glitz

Dando uma passada no site Colherada, achei uma reportagem sobre o livro "High Glitz – The Extravagant World of Child Beauty Pageants" (algo como O mundo extravagante da beleza nos concursos de criança), lançado em 2009, que reúne fotos das meninas que posaram para ela, fotógrafa Susan Anderson, momentos antes de encararem os juízes.
O livro mostra a transformação feita em cada criança e revela esse universo chocante de "Pequenas Misses". Esse tipo de concurso é muito comum em alguns estados americanos e acontece entre meninas de 12 à 13 anos. Movimentam uma grande economia e atraem milhares de mães esperançosas em transformar suas filhas em pequenas estrelas capazes de sustentar a família com sua beleza. Todas as meninas são forçadas a praticarem uma rotina muito pesada. Acordam às seis da manhã para a maratona de troca de roupas, maquiagem e a criação de penteados assustadores! Algumas chegam a fazer apliques e a usar "jaquetas dentárias", para encobrir imperfeições nos dentes. Detalhe: Todas tem que usar salto-alto!

Um jornal americano que comentou o trabalho da fotógrafa, disse que "essa era uma 'cultura monstro' que fantasia as meninas parte como cantoras de country, parte como donas-de-casa da década de 50, numa alusão a uma imagem feminina que quase não existe mais." O Colherada, fez menção ao filme "Pequena Miss Sunshine" (2006), onde a lindinha da Oliver sonha em participar de um desses concursos. No filme, sua família exótica, embarca numa aventura dentro de uma Kombi que leva um tio "mal-resolvido", um avô que decide morrer durante a viagem, um irmão depressivo e surdo, uma mãe doce e determinada, um pai estressado e a menina Oliver, que não tinha nada a ver com o concurso. Pequena Miss Sunshine está entre os meus prediletos. É engraçadíssimo e cheio de boas emoções. Mostra que ninguém é perfeito e que em algum momento, todo mundo precisa "explodir".

*Oliver é a menina de maiô vermelho.

Bem, Aline acha isso bizarro e assustador. Acha que esse tipo de atitude pode gerar comportamentos complicados daqui a alguns anos na vida dessas crianças. É deprimente ver como os pais podem agir de maneira tão desesperadora por causa do dinheiro, a ponto de arriscar a identidade das meninas. Mesmo que ainda sejam muito pequenas para definir isso, é uma situação que pode influenciar negativamente, de forma que a sociedade tenha que deparar, daqui um tempo, com jovens vazios, sem limites e cada vez mais hedonistas.

O canal DISCOVERY HOME & HEALTH, da SKY, começa a exibir no próximo dia 21, um programa que acompanha a saga das famílias em busca de coroas cintilantes, títulos pomposos e muito dinheiro. Os preparativos se intensificam durante a semana anterior ao último desfile. Desde o agendamento em manicures e cabeleireiros aos toques finais nas roupas, além de vários ensaios e sessões de orientação, cada criança se prepara para sua performance final. No palco, a decisão cabe aos juízes, mas ainda assim, os pais farão de tudo para provar que seus filhos são os mais bonitos. Espero que essa triste realidade alcance muitas pessoas e mostre como a futilidade, a ganância e a maldade reinam discretamente nos meios sociais considerados países de primeiro mundo.

Paz e bem.
Aline

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"Basta-me um pequeno gesto
Feito de longe e de leve
Pra que venhas comigo
e eu pra sempre te leve..."
-Cecília Meireles-

Paz e bem.
Aline.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Persépolis

Mais um livro estacionou em minha estante. Ainda pequena. Dessa vez foi Persépolis. Um presente de um primo; nobre escritor em ascensão, exilado em SP e um grande perigo de contaminação com suas idéias subversivas. Risos. O livro é uma autobiografia que conta a história de Marjane Satrapi, ou Marji, que tinha apenas 10 anos quando ocorreu a revolução iraniana de 1979 que derrubou o Xá Mohamed Reza Pahlevi. Numa história em quadrinhos em preto e branco, repleto de sensibilidade, inteligência e bom-humor, Marjane relata de forma comovente como o fanatismo religioso é nocivo e irracional.

O livro trás momentos impressionantes da história do Irã, como o que mostra como as mulheres passaram a usar o véu por afirmarem que seus cabelos emitiam energias que excitavam os homens, de forma que eles não eram responsáveis caso decidissem executar o estupro. A rotina da menina e de sua família era somada ao grande clima de terror interno e externo, provocado pela guerra contra o Iraque. No Irã de Marjane qualquer um podia ser seu inimigo. O livro é fantástico. Revela toda a acidez que permeia a mente de um jovem. Os pais de Marji faziam parte de uma classe média, intelectualizada e socialista. A presença deles nas manifestações contrárias ao regime era algo constante, mas Marji nunca entendia muito bem o que levava seus pais fazerem isso e muito menos a razão da vergonha de andar no Cadillac de seu pai. Entre conversas que tinha com Deus, participações escondidas nestas manifestações e a leitura de vários livros, Marji começou a entender o porque certas coisas aconteciam: "A razão da minha vergonha e da revolução é a mesma: A diferença entre as classes sociais." Ela não via sentido nas desigualdades cada vez mais abismais entre mulheres e homens do seu país. O que realmente não tem.

A menina, que vai crescendo ao decorrer da história, começa a perceber a diferença, a sutil diferença, entre ser o que o mundo determina e ser o que tem significado pra ela. Sem medo de se expor e de lutar pela sua verdade, ela vai sendo moldada pelas suas experiências, não abrindo mão dos valores e integridade, como sua avó costumava dizer. Marjane Satrapi traduziu neste livro tudo aquilo que parece estar mal resolvido dentro de nós, mas nada que um pouco de coragem e autenticidade não deixe esclarecido. Um fato emocionante que pulsa vida!

O mais legal são as semelhanças entre ela e o leitor. Sem dúvidas, as mentes inquietas do mundo se viram no universo de Persépolis. E claro, assim como ela, macarrão fez parte da minha vida por um bom tempo. Adorei o livro!

"Por trás de aparência de mulheres modernas, minhas amigas eram autênticas tradicionalistas."
(Persépolis)
Paz e bem
Aline.