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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

No vento

Numa de minhas tardes, quando abria a página de meu blog, deparei com uma frase que encaixou com momento que estou vivendo. Sêneca traduziu um pensamento de Cristo com outras palavras. Geralmente os grandes pensadores faziam e fazem isso. Porque será? Dizia o seguinte:

Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir.

É estranho admitir uma fraqueza, mas aprendi que esse tipo de atitude enobrece a gente. Quando dava aula para um grupo de adolescentes no último domingo, falei sobre isso e foi fantástico ver algum deles renunciando o orgulho e vendo que não são perfeitos. Engraçado, mas temos a mania de nos constranger diante da sociedade, mas sempre nos esquecemos de quem vê de verdade tudo o que fazemos. Enfim, aprendi também que é preciso crescer e que para isso não importa o que seja preciso. A essência do conhecimento não está na quantidade que adquirimos com o tempo, mas o que geramos e produzimos a partir dele. Fazer escolhas não é fácil, porque qualquer escolha que façamos é um risco, por mais seguras que possam parecer. Ninguém tem o poder de advinhar o que está por vir. Nós escolhemos por intuição, por vontade e até revelação. Fazemos escolhas por convicções. Sabemos o que rege nossa vida e o que nos torna caçadores de nós mesmos, como dizia Nilton Nascimento. Escolhemos pela paixão, pela beleza daquilo que nossos olhos enxergam, pelo que a alma nutre e pelo que nossa mente induz. Mesmo o coração sendo muitas vezes enganoso, também nos movemos por ele.

Pensar naquilo que nos move é resposta para anseios. Para dúvidas e questionamentos que insistem substituir uma verdade tão absoluta, porém existem pessoas que gostam de viver sem respostas. Quando conversava com dois jovens há pouco tempo, falávamos sobre vocação. Perguntei pra eles se as escolhas que estavam fazendo, onde iam investir boa parte de suas vidas, estava baseada no senso comum onde faço o que fui criado para fazer ou em resultados. Porque a nossa vida está sempre baseada em resultados e isso reprime em todos os aspéctos a ideia de plenitude que Deus sonha para o ser humano. Talvez pelo capitalismo, pela ânsia de consumo, pelo medo de perder e nunca alcançar um 1º lugar, que seja. Por acaso lembrei de um homem que disse uma vez que aquele que quiser ser o primeiro, esse sirva. Então tentei fazer aqueles dois jovens pensarem sobre as escolhas que estavam fazendo, com a velha idéia de que elas viriam acompanhadas de consequências, sejam boas ou não. Quem foi que inventou essa história de que Deus castiga? Que maldade...

Com isso a gente entende que nem sempre tudo é do jeito que achamos que deve ser. Se entendemos também que todas as coisas que fazemos são para honra Daquele que É, logo cada passo que dou na costrução da minha vida, preciso saber que tudo que eu faça deverá ser feito com louvor, do contrário, não haverá glória por mais esforço que haja, mais determinação, mais entedimento de deveres e consciência de sobrevivência. Se não houver amor, nada seremos. Por isso, fazê-los entender naquela hora que deveriam buscar dentro de si mesmo a verdadeira motivação para seus sonhos e objetivos, foi tão importante quanto vê-los satisfeitos um dia. Falei sobre o fato de Deus buscar verdadeiros adoradores e perguntei quem os eram? Então a resposta de seres adestrados pelos sistemas veio na ponta da língua. Não que estivesses errados, mas é que infelizmente o homem tem preguiça de pensar. Os cristãos deveriam ser os maiores pensadores, mas nos acomodamos com a maneira mais fácil de obter respostas. Quando deveríamos absorver um senso crítico sem paradigmas e preconceitos para trazer a existência um cristianismo que gera discípulos livres, entre razões e emoções. O êxtase de uma adoração, a alegria numa comunhão, o contato com o sobrenatural são coisas que sim, nos aproximam de Deus e podem até fazer de nós adoradores verdadeiros, mas é muito mais que isso. O que Deus busca, não se limita à momentos onde nosso intelecto se esclarece nem onde nosso espírito frutifica. O que Deus busca vai infinitamente além do que um hábito litúrgico produz em nós.

Com o tempo e entendi que as coisas que faço refletem naquilo que sou, e vice-versa. Isso me fez perceber que quanto mais eu me basear em resultados, mais eu vou me cobrar, logo me transformando numa pessoa perfeccionista com medo de errar. Caso isso acontecesse, passaria boa parte do meu tempo me frustrando por não alcançar o inalcansável. Isso é suicídio. Descobri que não só tenho o direito de errar como também, em algum momento, vou errar. Isso é fato.


Voltando à frase de Sêneca que diz que nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir, pensei que de nada adianta planejar e sonhar se minhas convicções estiverem abaladas. As escolhas estão para serem feitas, mas precisa-se de quem as faça com certeza. Se não há direção, não há caminhos. Se não há caminhos, nos resta o abismo. E sinceramente, não nasci para passar minha vida num abismo, onde a ilusão de que tudo que faço é perfeito e inédito. Tudo que sou é resultado das ferramentas que ativei um dia e que passei cada segundo da minha vida esperando também por resultados que susbstituiriam a essência do meu ser. Ilusão. Por essas e outras, pensar sobre renúncia é e sempre será um desafio. Sempre soube que os confrontos viriam, mas definir para onde o vento deve me levar... é tudo que eu preciso agora!


Obrigada, por não me deixar desistir!

Paz e Bem!

Aline ;)

Um comentário:

Rafael disse...

Muito legal o seu blog,não tive tempo de ver todo por causa da hora,em outra oportunidade verei com mais tempo a paz do senhor.!!!!1