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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

De pés descalços


Procurei. Não há definição para o número 23 na internet. Nada que me faça rir; Da definição e de mim mesma, por perder tempo com essas coisas. Adoro meu aniversário. Sempre gostei. Quando menina, lembro de uma festa que tive. Um almoço em casa com a família. Coloquei um conjuntinho estampado e um sapato preto. Tudo novo. Presentes. Para mim ele era "o sapato". Lembro de ter ganhado uma agenda da Angélica. Então, fui ao banheiro e comecei a olhar aquelas páginas, encantada, sentada no vaso. É verdade! Me lembro disso! Risos. Até que me chamaram e eu saí brava de lá. Fui resmungando até a varanda, onde estavam todos me esperando com uma torta daquelas. Acho que devo ter estampado um sorriso meio sem graça e surpreso, mas teria ficado mais tempo no banheiro lendo minha agenda nova. Sem dúvidas. Agenda essa que veio guardar muitos segredinhos e todo tipo de pensamento que me seguia. Nunca fui boa com agendas. Não sigo nenhuma proposta "organizacional" que ela dispõe. Mas eu juro que tentei!

Digo que Priscila, uma amiga que mora comigo, tem uma memória brilhante. Ela é detalhista e consegue descrever tudo que ouve e vê, de maneira impecável. Grava uma conversa como ninguém. Acho incrível. Eu já não me acho assim, apesar de conseguir lembrar de coisas que considero importantes pra mim. Minha memória às vezes me surpreende. Lembro de coisas tão distantes e, vez ou outra, me pego rindo sozinha dos dias bobos e pequenos que vivi. Até porque, acho a lembrança uma linha muito, muito especial que tecemos em nossa mente. Ela é uma caixa que arquiva tudo que fomos, fizemos e sentimos. As coisas que vimos. Eu lembro do sabor e dos cheiros que elas tem. Eu consigo me lembrar dos movimentos que fiz em algumas situações, dos olhares que dei e recebi. Lembro até das emoções que esbarraram em meu coração um dia desses aí. É estranho, mas engraçado.

Engraçado porque são coisas que vou levar comigo pra sempre e sempre. E eu não escolho me livrar delas assim, a hora que bem entendo. Lembranças só vão quando querem. Quando percebem que já está na hora de partir e deixar espaço pra outras que querem estacionar e ficar de vez. Porque na verdade, tem algumas coisas que dá vontade de plantar num monte de concreto, pra eternizar. Levar pra sempre e lembrar todos os dias. Amar esse pensamento. Gostar dele do jeito que é, sem intervenções. O dia de hoje não me trouxe só números, nem só tortas, nem só ligações do tipo "uma vez por ano". Acontece...

O dia de hoje trouxe com ele novas lembranças. Isso, lembranças do tipo "te levo pra sempre", ou "vem comigo, curtir a vida, rodar o mundo, sem olhar pra trás". E eu estou feliz por isso. Sabe? Estou mais forte. Me sinto livre. Não livre pra ir e vir. Sempre fui. Livre de mim mesma. Das dúvidas e ofensas que carregava numa malinha enfeitada. É como estar descalço. Isso, tirei as sandálias... agora eu sinto o chão!!

Obrigada pelo carinho de todos!! Obrigada de verdade! Se eu agarrar toda a felicidade que me foi desejada... tô feita! Vocês são especiais. 23 anos... e a vida segue pelo retrovisor! Abraço de urso!

Paz e bem.
Aline.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ah... agora descobrimos a razão daquela cara, né?!... Nos lembramos como se fosse hoje. Vc ficou muito sem jeito ao ver a torta sobre a mesa. Que bom que cê tá feliz... O texto mostra isso. Continue assim. o caminho é por aí ( se é que nos entende....)

bjs... Father and Mother

Aline disse...

Entendo... obrigada por tanto amor!!

Amoraline.
;)