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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

E lá está ela

Quando comecei a ler mais sobre Jornalismo, decidi que deveria escolher uma revista que pudesse ser uma referência sobre o assunto. Como gosto muito de ler sobre política, apesar de escrever quase nada relacionado, optei pela revista Época. Achei que a maneira simples e expansiva com que os textos eram elaborados, me ajudariam a formar algumas opiniões. Não me arrependo da eleita. Então essa semana fui à banca. Precisava de papel. Precisava tocar na notícia. A internet, com toda sua habilidade, modernidade e democracia, jamais irá substituir o prazer de uma tradicional leitura. Até hoje, eBook não me convenceu.

E não existe outro assunto em pauta, em qualquer tablóide do mundo, que não seja a posse de Dilma Rousseff à presidência do Brasil. Não votei em Dilma. Minha entusiasta e ideológica utopia não me permitiu. Li pouco sobre ela. A única certeza que eu tinha, era de que precisava acreditar em alguém que se mostrasse disposto a responder às necessidades reais -e surreais- da minha nação. Eu estava completamente certa e decidida de que, apesar de todos os benefícios e soluções imediatas que o governo Lula apresentou ao Brasil, "bolsa família" não era exatamente o que precisávamos. Partindo do princípio da sabedoria popular, essa história de ensinar a pescar ao invés de dar o peixe, me cheira um desenvolvimento social muito mais seguro e constante. Assistencialismo e filantropia são válidos em situações onde o indivíduo não consegue achar soluções, mas se não houver cuidado, cria dependência e reduz a auto-estima.

Eu fico muito feliz em saber que nesse último governo, tivemos respostas positivas sobre a questão da fome. Feliz em saber que muitas famílias saíram da pobreza e hoje conseguem se manter num nível mínimo de dignidade. Um tio, petista, sempre diz quando conversamos sobre o assunto: "Lula colocou carne na mesa dos brasileiros!". Que bom por isso! Lula foi incrível, eu sei. Quando eleito pela primeira vez, eu tinha 15 anos. Tudo que eu queria saber nessa época, era qual roupa iria usar na igreja aos domingos. Mas ao começar a amadurecer e entender que eu precisava assumir a responsabilidade de participar da vida da minha sociedade, atraí minha atenção para a situação política no Brasil.

Se hoje me cabe uma "convicção civil", é de que a educação é um fator determinante para promover a mudança que tanto queremos ver e viver. Hoje, eu trabalho numa comunidade onde a maioria das pessoas são vítimas da "falta" e do "excesso". Não há o que comer em muitas das casas, não há o que vestir e não há com o que se ocupar. Distribuir cestas básicas para essas famílias, responderá à uma necessidade indiscutível e perdurável. Ensinar à elas o valor do trabalho e a capacidade que cada um tem de produzir, de participar e de gerar um estilo de vida muito mais enriquecido e nobre, é fundamental pra que a gente cresça de verdade como nação e como seres humanos.

Entendo que algumas oportunidades valem muito mais do que qualquer doação, porque podem servir de auxílio para que o indivíduo construa a sua vida sem uma sujeição digna de piedade. Enquanto não couber essa consciência dentro da nossa política, o neoliberalismo social irá sempre superar as ações de caridade e viveremos com eternas soluções imediatistas. Imediatismo não é um valor do Reino. Investir em pessoas é um desafio muito grande. Nem sempre haverá retorno. Nem sempre haverão os frutos. Nem sempre haverá resposta. Cristo nunca fez nada por alguém esperando que esse alguém desse algo em troca. Ele se importava simplesmente porque nós éramos importantes para ele.

Enquanto conversava com um amigo, falamos juntos: Eu quero que a Dilma me surpreenda! E mais uma vez, cá estou criando expectativas sobre uma coisa que não posso ver. É um passo de fé. Fazendo de minhas palavras a de Hélio Gurovitz, diretor de redação da revista Época, temos "Uma presidenta entre o otimismo e a cautela. Lula deixou uma herança de duas faces: A primeira delas é um país de economia dinâmica que desponta entre as maiores potências emergentes do planeta. A segunda trata-se de um Brasil do Estado inchado, aparelhado por sindicatos e organizações que defendem interesses privados. Um Brasil de impostos escorchantes, da saúde precária e da educação de péssima qualidade. [...]"

Sim. Dilma já deu sinais de que compreende todas essas questões. Mas compreender não basta. É preciso agir! Conseguirá ela, enfim, promover um choque de qualidade e ordem na educação brasileira, algo que deveria ser a prioridade de qualquer governo? Eu creio, mas tenho dúvidas...

Enquanto isso, vai fazendo cada um a sua parte. Fujamos do excesso e da falta. Bem como diz meu pai: Tudo na vida é questão de equilíbrio!


A vida segue.


Paz e bem.

Aline.

5 comentários:

William Oliveira disse...

Relaxe, madame. Para o bem ou para o mal, ela não está governando um país sozinha -- e qualquer político no lugar dela (incluindo sua queridinha Marina) saberia dessa enrascada.
Bom texto este seu (tirando a referência a Cristo, claro... rs, mas aqui eu apenas a provoco).
Abraços.

Aline disse...

Rs. Valeu Will, por vir sempre aqui! Meu pai sempre diz a msm coisa: Ela não está governando sozinha.

Mas Lula tb não esteve. Nem FHC. Nem Jânio. Nem Collor...

O discurso dela é muito "lulístico". Promete coisas que são características do governo do Lula. Não que combater a miséria não deva ser um objetivo, mas afinal... Será que ela vai conseguir deixar uma marca dela nesse governo? Enfim... tô aqui pra ver! São muitos "serás"!!! rs.

Bjs.

Coração de Poeta disse...

Esta é a questão: ela não está governando sozinha, bom por um lado, péssimo por outro.
Texto ótimo, minha querida.
E, viva a Presidenta! Bom mandato é o que desejo.
abraços.

Aline disse...

Si, que bom que você passou por aqui!! Saudades, pequena! =)

Anônimo disse...

Muito bom texto, filha... não tinha lido e vi postado no "redator". bjs...